12 de outubro de 2016

Das perguntas que recebo sobre a Suécia, muitas são sobre o sistema de saúde; se é bom, como funciona, se é de graça, etc. Foi um pouco demorado até que eu entendesse como funciona o sistema de saúde daqui, mas depois de alguns anos no país, algumas idas ao médico e ajuda de outras pessoas, acabei aprendendo muitas coisas. É provável que eu não saiba de todos os detalhes ainda, mas vou contar aqui o que sei.

Vårdcentral e ambulância em Styrsö Bratten | Foto: Mattias Blomgren
É DE GRAÇA?
Sim e não. A não ser que você tenha menos de 20 anos de idade, saúde na Suécia não é totalmente de graça, porque no período de um ano, você deve pagar um determinado valor na primeiras consultas (já paguei consultas de 200 e 400 coroas suecas). Você paga até que este valor chegue de 900 a 1.100 coroas suecas (dependendo da cidade) e, depois disso, as próximas consultas são gratuitas até que se complete um ano a partir da data que você pagou a primeira consulta. Resumindo, você paga até 1.100 coroas para ter um ano de consultas, e isso é válido para consultas em hospitais/consultórios públicos.

Além disso, os remédios prescritos pelos médicos também seguem um teto durante o  período de um ano. Sendo assim, o paciente paga um máximo de 2.200 coroas suecas para medicamentos prescritos pelo médico no período de um ano.

COMO FUNCIONA?
Quando acontece algo e você precisa visitar um consultório médico, uma das opções é marcar consulta no que chamamos aqui de Vårdcentral, que numa tradução livre seria “Centro de Cuidados” ou o nosso Posto de Saúde. Para marcar a consulta, é só ligar para o Vårdcentral em que você está registrado.

Sempre haverá um ou mais na região em que você mora e você será automaticamente registrado em um Vårdcentral da mesma região em que o seu endereço está registrado. Se você visitar um Vårdcentral diferente do qual estiver registrado, o valor da consulta é mais alto. Caso você esteja insatisfeito com o Vårdcentral no qual você está registrado, você tem o direito de escolher outro.

Muitos deles têm drop-in (que é quando você não precisa marcar consulta e, ao invés disso, você pega uma senha e espera até ser atendido). Há drop-ins gratuitos ou pagos, com ou sem limite de senhas. Para saber o horário de drop-in de algum Vårdcentral ou saber quaisquer outras coisas relacionadas à saúde, basta ligar para 1177 e perguntar ou você pode ligar direto no Vårdcentral.

O pagamento da consulta não é garantia de que você será atendido por um profissional especialista ou até mesmo por um médico. Antes, você é encaminhado para um clínico geral ou para um enfermeiro, o qual irá decidir se você precisa ou não de um especialista e irá encaminhar caso veja necessidade.

Geralmente, o Vårdcentral tem horário de funcionamento durante a semana, de 8h às 17h, mas há alguns que abrem aos fins de semana e até mesmo depois das 17h.

CASOS DE EMERGÊNCIA
Caso você precise de atendimento de emergência, ou precisar de bombeiros, ambulância ou polícia, ligue para o 112.

Procedimento médico | Foto: Melker Dahlstrand/imagebank.sweden.se
OUTROS FATOS E CURIOSIDADES
Quando um medicamento é receitado a você, ao invés de receber um papel, seus dados são registrados no sistema. Depois disso, você pode ir a qualquer farmácia, mostrar sua identidade e comprar o medicamento.
Ao contrário do que muitos pensam ao vir para a Suécia, não são todos os medicamentos que precisam de prescrição.
O aborto é legalizado na Suécia caso seja realizado antes da 18ª semana de gravidez (em casos específicos como, por exemplo, risco de vida da gestante, pode ser feito até a 22ª semana de gravidez).
É muito comum que um médico na Suécia mande você para casa e diga para que volte se você não melhorar em 5 dias.
Para receber cuidados médicos nas mesmas condições de um sueco, é necessário ter permissão de residência e personnummer.
Se você é turista na Suécia, o recomendado é adquirir um Seguro Saúde (Plano de Saúde) antes de chegar ao país.
Tratamentos dentários não seguem as mesmas regras descritas acima. Eles são gratuitos para pessoas com menos de 20 anos de idade. Depois disso, é você o responsável pelos custos. Há exceções para quando você gasta mais de 3000 coroas suecas com o tratamento em um ano, isso é válido para dentistas que são afiliados com o chamado Försäkringskassan (agência sueca de seguro social).
A proteção de alto custo (aquelas 1.100 coroas suecas citadas acima) não cobrem vacinas, dentistas, taxas diárias de hospital (quando você fica internado, por exemplo) e consultas que você deixou de ir.
Quando você não comparece a uma consulta marcada e não desmarca a tempo, você recebe o boleto de pagamento em casa.

Tem algo a acrescentar? Alguma dúvida? Escreva nos comentários!
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As lavanderias comunitárias na Suécia, chamadas de tvättstuga, são locais com máquinas de lavar e secar roupas. Cada bloco de prédios tem uma lavanderia coletiva que geralmente fica ou no primeiro andar de um dos prédios ou em uma casinha ali perto que funciona apenas como lavanderia.

Cada tvättstuga tem as próprias regras e horários de funcionamento diferentes. Em geral, elas não funcionam após 22h, para que o barulho não incomode os moradores próximos ao local. Mas existem lavanderias que funcionam 24h.

Apesar de lavar roupa ser uma atividade relativamente fácil, principalmente usando máquina, quando cheguei aqui foi uma luta até entender essas tais máquinas e as informações da lavanderia todas em sueco.

O QUE TEM NA LAVANDERIA
O mínimo que já vi em uma lavanderia até hoje foram duas máquinas de lavar e duas máquinas de secar diferentes: uma parecida com a máquina de lavar, na qual você só joga as roupas, e outra maior, tipo um armário, na qual você pode pendurar suas roupas para secar. Mas Já vi lavanderia também com mais de 10 máquinas de lavar, provavelmente para uma quantidade maior de apartamentos.
Secadora
Secadora
Instruções sobre como usar as máquinas
Além disso, sempre tem uma pia, carrinho para transportar as roupas de uma máquina pra outra, uma mesa que pode ser usada para dobrar as roupas, um quadro de avisos, informações sobre como a lavanderia deve ser usada, uma vassoura e uma lixeira grande.


COMO FUNCIONA
Cada morador tem uma chave para a lavanderia do seu bloco de prédios, que pode ser uma chave eletrônica ou até a mesma chave do apartamento. As chaves eletrônicas geralmente servem para dar acesso à lavanderia e para marcar horário.

O horário na lavanderia pode ser marcado ou de forma eletrônica, ou em um quadro de horários com buraquinhos no qual você coloca seu cadeado ou até mesmo escrevendo seu nome em um papel. Depende de cada lavanderia. 
Quadro de horários
As que funcionam de forma eletrônica geralmente só permitem o acesso da pessoa que marcou o horário e, se ela se atrasar uns minutinhos para pegar a roupa dentro desse horário, a roupa fica lá dentro mesmo. Nesse caso, ou você espera alguém aparecer e entra junto ou você marca o próximo horário (o que talvez pode não ser uma boa ideia, já que muitas lavanderias têm quantidade máxima de reserva por semana/mês para um determinado apartamento).

REGRAS GERAIS
A tvättstuga tem sempre regrinhas básicas tanto de uso quanto de convívio social. São elas:
Geralmente não se pode lavar tapetes nas lavanderias comunitárias, a não ser que elas tenham máquinas apropriadas para isso.
Sempre limpe o local após usá-lo, incluindo o filtro da secadora.
Se achar uma peça de roupa perdida (sempre tem!), deixar em local visível para que o dono ache quando voltar à lavanderia.

E assim funciona a lavanderia comunitária na Suécia! =)
Hej då!
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8 de outubro de 2016

Muita gente viaja pela Europa e acaba ficando pouco tempo em algumas das cidades escolhidas para visitar. Certa vez, um amigo brasileiro estava passeando pela Finlândia e decidiu pegar um barco até Estocolmo para ficar apenas um dia na cidade!

Há alguns meses, decidi mostrar Estocolmo pelo Snapchat e fiquei surpresa com quanta coisa consegui mostrar em apenas um dia! É claro que o quanto você irá ver da cidade em menos de 24 horas vai depender do seu ritmo e até de outros fatores como o clima/tempo.

Stortorget | Foto: Victória Freitas
A minha ideia é descrever o passeio que fiz e dar dicas de lugares extras para quem estiver na cidade só por um dia escolher o que agradar mais. É um passeio que não inclui muitas atividades internas, como museus, mas que irá fazer com que você conheça bastante da cidade e, o melhor, sem gastar muito!

DO QUE VOCÊ PRECISA
Tudo o que você vai precisar para que o passeio fique menos cansativo e mais interessante é um cartão de transporte. Você tem várias escolhas na hora de comprar o cartão, desde tickets únicos, passando por períodos de 24h, 72h, um mês e até três meses. Se você vai mesmo passar apenas um dia na cidade (chegada e partida no mesmo dia), escolha o cartão de 24h ilimitado:
Cartão SL: 20 SEK (Coroas suecas)
Recarga de 24h: 115 SEK
*Caso sua viagem de volta esteja marcada para o outro dia, talvez seja melhor outra opção. Escolha a que melhor combinar com o tempo que você irá ficar na cidade.

COMECE CEDO
Comecei na estação central de Estocolmo às 8h, lá você pode pegar um mapa da cidade no balcão de informações. De lá fui até Hötorget para mostrar a fachada da Kulturhuset, onde acontece a entrega do Prêmio Nobel. Não há muito o que ver de turístico por lá, então você pode começar a partir da minha próxima parada: Stadshuset, a prefeitura de Estocolmo.

STADSHUSET: PREFEITURA DE ESTOCOLMO
A prefeitura de Estocolmo é um dos prédios mais famosos da cidade e fica bem perto da estação central. É lá que é realizado o banquete após a entrega do Prêmio Nobel.
Além de sua arquitetura maravilhosa que lembra um castelo, de lá você tem uma das vistas mais fotografadas da cidade.

Stadshuset no Outono | Foto: Victória Freitas
Vista da Prefeitura que mostra o ilhéu Riddarholmen | Foto: Victória Freitas

GAMLA STAN
Da prefeitura dá pra ir andando também até a cidade velha de Estocolmo, Gamla Stan, a preferida dos viajantes. Gamla Stan é linda, perfeita para tirar fotos turísticas. É lá onde está localizado o castelo real, a igreja mais antiga de Estocolmo (Storkyrkan), a praça queridinha das câmeras dos turistas: Stortorget, sem falar nas ruazinhas estreitas e casinhas coloridas encantadoras que guardam surpresas como a menor estátua da Suécia, järnpojke (menino de ferro).

Gamla Stan | Foto: Victória Freitas
Järnpojke | Foto: Victória Freitas
Castelo Real  | Foto: Victória Freitas
Se quiser, você pode checar o horário da troca de guarda no dia em que estará em Estocolmo e assim planejar a ida até Gamla Stan de acordo com ela.

DJURGÅRDEN
Outro local muito visitado pelos turistas, principalmente os que gostam de museus, é a ilha de Djurgården. Há várias opções para chegar até lá. Você pode pegar um bondinho a partir da praça Kungsträdgården, que não fica muito longe da estação central, ou pode pegar o metrô até a estação Slussen e de lá pegar um barco até Djurgården, usando o mesmo cartão de transporte.
Tanto o passeio de bonde quanto o de barco oferecem vistas maravilhosas da cidade.

Bondinho que vai para Djurgården | Foto: Victória Freitas
Visitar museus talvez não seja uma boa ideia para quem vai passar apenas um dia na cidade de Estocolmo, mas se tiver um tempinho extra, é em Djurgården que está localizado o famoso museu do Vasa e, se vier acompanhado de criança, o Junibacken é uma opção que encanta crianças e adultos.

Ainda que você não entre nos museus da ilha, só uma caminhada por lá já vale a pena!

SKINNARVIKSBERGET
Vai ficar para o pôr do sol? Recomendo o ponto natural mais alto do centro de Estocolmo: Skinnarviksberget. Se der tempo, comece a caminhada pela Monteliusvägen e você terá uma das vistas mais lindas da cidade de Estocolmo. Não vai dar tempo? Vá de metrô até Zinkensdamn, suba Skinnarviksberget e aproveite a vista e o pôr do sol. Tanto durante o dia quanto à noite, a vista é maravilhosa!

Skinnarviksberget | Foto: Victória Freitas
O acesso é complicado durante o inverno, já que é uma montanha e a neve pode estar escorregadia para a escalada. Então prefira o passeio durante o verão.

ESTÁ CHOVENDO?
O passeio acima pode não ser o mais indicado em um dia chuvoso. Para os dias de chuva em Estocolmo, os museus são uma boa pedida e há vários museus gratuitos bem no centro da cidade!

Estação Vreten | Foto: Victória Freitas
Além disso, as estações de metrô de Estocolmo são consideradas uma enorme galeria de arte. A linha azul do metrô é a minha preferida, começando na estação Kungsträdgården e indo em direção a Hjulsta, as minhas favoritas são as estações Vreten, Duvbo e Rissne.

Gostou do roteiro? Tem alguma dica ou sugestão de lugar? Deixe nos comentários!

Hej då!
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6 de outubro de 2016

Cada pessoa tem suas próprias histórias e experiências relacionadas a como vieram parar na Suécia e ao que fazem por aqui. Contar estas histórias ajudam, e muito, outras pessoas que pretendem vir para o país. Por isso, decidi entrevistar outros brasileiros que moram aqui e compartilhar com vocês as diversas formas pelas quais outras pessoas vieram morar na Suécia.

A primeira destas entrevistas é com Karla Pietsch, que se formou em Psicologia no Brasil e é profissional de RH/International Assignments na Suécia.

FALE UM POUCO SOBRE VOCÊ
Sou psicóloga, tenho 29 anos, sou pós graduada em RH e neuro-ética e Mestranda em Ciências políticas com ênfase em Relações Internacionais. Hoje sou responsável por mobilidade Internacional de pessoas para uma empresa multinacional do ramo hidroelétrico na Suécia. Trabalho também com mediação de negócios e dando suporte ao RH em tudo que diz respeito a expatriação e treinamentos cross culturais de funcionários que precisam se adaptar em nossos projetos no exterior. 

Sou casada com um Croata-Sueco e amo viajar, o que faço bastante tanto a trabalho quanto sempre que tenho algum tempo livre. Viajar é meu maior prazer, amo conhecer lugares, culturas, aprender línguas é fascinante! Além de viajar, amo dançar e qualquer esporte que envolva água! Amo o mar! Adoro velejar,  andar de caiaque, barco, wind... Me sinto inteira quando estou na água... pena aqui na Suécia é tão frio na maior parte do ano. Odeio puxar ferro e locais fechados como academias. Sou nascida em 04/11/1986, escorpiana, com ascendente em gêmeos, para quem acredita em astrologia, uma pessoa “meio” intensa, “macabrosa” e com dupla personalidade. Musicalmente, curto rock clássico e funk carioca... vou de White Snake a Mr.Catra, fácil! Haha!


POR QUE VEIO PARA  A SUÉCIA E HÁ QUANTO TEMPO MORA NO PAÍS?
Moro na Suécia há quase 5 anos. Foram duas as razões principais da mudança do Brasil para cá:
1º - Para ficar mais perto do meu marido, que naquela época era namorado, ou noivo...  sei lá. Ele tinha me pedido em casamento, mas eu ainda não havia “aceitado” ou me convencido... no final fui sequestrada  e gostei!
2º- Desenvolvimento profissional, eu queria saber como era trabalhar e estudar fora do Brasil.

COMO FOI O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO? (O MAIS FÁCIL E O MAIS DIFÍCIL)
Karla: Não foi fácil. Apesar de trabalhar parte do meu tempo com treinamentos cross-culturais ajudando outras pessoas a adaptarem-se no exterior, “em casa de ferreiro, espeto é de pau!”; Chorei muito! Morria de saudade do Brasil, dos meus amigos, da família e achava as pessoas aqui muito frias e fechadas. 

Mas o mais difícil mesmo foi ter que ouvir não. Tudo aqui deve ser preparado nos mínimos detalhes e quase nada é flexível. Levei muito tempo para conseguir organizar meus documentos escolares do Brasil, traduzir tudo, notarizar, organizar e validar aqui. Não sabia o que me dava mais raiva, se era o sistema do Brasil que não entregava os documentos, ou se era o da Suécia que não aceitava nada e queria até comprovante fotográfico dos pentelhos da alma da minha bisavó na encarnação passada. Esta situação gerava um cansaço muito grande. Aliás, estar no meio de dois mundos gera um cansaço muito grande. Sua família quer você de um lado, seu marido quer você do outro, fica um cabo de guerra e se você não tomar cuidado quem se parte é você. 

No mais, não poder nem comprar pão durante quase 5 anos falando sua própria língua deixa você meio tenso; três meses por ano quase sem luz solar e com temperaturas variando de -5 a -25 graus, deixam você meio lunático... Mas, como quase tudo na vida, a adaptação se dá com o tempo. 

Você precisa aprender que quando se muda para outro lugar até trejeitos naturais seus vão parecer estranhos para outras pessoas, às vezes amedrontá-las. Acho que uma vantagem que os brasileiros costumam ter em comparação a outros imigrantes neste sentido é a nossa flexibilidade e senso de humor. É preciso se manter feliz e perseverar! Sabe aquela frase, “brasileiro não desiste nunca”? É bem por aí... 

Tenho minhas dúvidas enquanto profissional de saúde quanto a pessoas que dizem que se adaptar aqui é muito fácil; isso me faz pensar nas teorias de construção de caráter e personalidade e na significância do passado, mas esse papo iria ser chato demais... então fica aqui respondido: Não! não foi fácil me adaptar na Suécia. Por que? porque eu sou eu, e vou ser eu em qualquer lugar do mundo. Adaptação é um processo de vivência, descoberta e aprendizado,;não é como pedir fast food! 

Também sofri preconceito aqui, mas tô de tão bom humor  hoje  que nem quero falar disso não. Prefiro pensar que foi um mal entendido. Mais amor por favor!


O QUE VOCÊ MAIS GOSTA E MENOS GOSTA SOBRE A SUÉCIA?
Mais gosto: Segurança, acesso à educação, igualdade social, possibilidades de crescimento profissional e o silêncio, adoro o silêncio... 

Menos gosto: NEVE, frio, o sistema público de saúde e o silêncio, odeio o silêncio... 
O que eu quero dizer é que eu amo e odeio o silêncio. Amo porque me concentro, foco nas minhas metas, tenho mais tempo para pensar. Odeio porque me faz sentir saudade do barulho do brasil e me lembra que tô longe de casa, especialmente da minha mãe, que tem mania de deixar um rádio ligado em casa no último volume.

Os hospitais daqui são ótimos, limpos, super equipados, tudo que um médico na rede pública do Brasil sonhava em ter! MAS os médicos aqui são extremamente impessoais, ao menos comigo, raramente dei a sorte de encontrar algum que realmente resolvesse meu problema. 

Alguns exemplos de coisas que aconteceram comigo aqui: tive um DIU enfiado erroneamente em outra cavidade que não a devida; me deixaram voar para o Brasil com pneumonia e derrame pleural falando que eu estava apenas com uma gripe forte, entre outras histórias lindas... 

Vai ter gente que vai ler isso me xingando, não me importo. Não gosto, é minha opinião, respeite. Hoje, graças ao senhor, tenho um seguro de saúde internacional particular.  

DO QUE MAIS SENTE FALTA DO BRASIL? 
Cara, eu sinto falta de tudo! Da comida, das praias, dos amigos, dos bares, da minha casa! Minha vida no Brasil era linda, não tinha muito do que reclamar, com exceção do mercado profissional que era tenso e das horas infindáveis no trânsito. 

Morar no estado do Rio de Janeiro é uma loucura apaixonante! Eu vivia em Niterói, a cidade sorriso. Que saudade da praia de Itaquatiara, dos sanduíches naturais e dos gatos lindos jogando altinha na praia. Os problemas no Rio de Janeiro se tornam pequenos quando você pesa na balança a natureza, beleza e todo resto.  

Era mais fácil perguntar do que eu não sinto falta. Aí eu responderia: da corrupção e da falta de segurança. Mas isso, em níveis maiores ou menores, existe em qualquer lugar. No Rio tem arrastão na praia e o conflito armado da PM com os traficantes, já aqui na Suécia, de vez em quando tem um maluco jogando gente na linha do trem ou algum atentado terrorista. 

A incidência de crime aqui é muito menor que no Brasil, mas sei lá. Aqui falta bossa nova, empadinha de camarão, acarajé, e couve para feijoada. Fica mais fácil enfrentar o crime de estômago cheio sabe. E, além de tudo, aqui tem a neve, né?

VOCÊ VOLTARIA A MORAR NO BRASIL? POR QUÊ?
Claro! Porque eu sou Brasileira e amo muito meu país! Como disse aí em alguma das perguntas acima, tô aqui por conta do meu marido; se não fosse o gringo, já teria vazado! Ele se sente melhor aqui, devido à profissão dele não ser valorizada no Brasil. 

MAS... em breve, quando nossa situação financeira estiver melhor do que já está, eu penso em mudar sim. Se eu não conseguir convencer o bofe, como a gente diz lá no rio: vai dar ruim! Só sei que não fico aqui nessa neve congelante até morrer. Adoro a Suécia, mas o inverno aqui é terrível! Sou gata-garota de Niterói, gosto de praia e muita vitamina D. Uma outra possibilidade de ficar entre estes dois mundos Brasil e Suécia, era mudar para a Croácia, o que eu iria amar! Vamos ver para onde a vida me leva... nesse sentido, prefiro não fazer planos.

UM RESUMO DA SUA VIDA NA SUÉCIA ATÉ AGORA
No momento, vivo uma ótima fase de vida, meus principais projetos hoje em dia estão localizados na África, Angola e Libéria, mas também tenho projetos na Sérvia e nos EUA, o que me permite viajar com frequência. Minha situação financeira é bem estável, mais o início não foi fácil. Desde que cheguei a Suécia trilhei uma estrada árdua para conseguir chegar onde estou hoje. Quando cheguei não falava sueco e o primeiro emprego que tive foi como Executiva Internacional de vendas para uma empresa de facilities. O trabalho era muito pesado, eu era responsável pelo mercado de vendas da Suécia para a América Latina. Apesar de fazer muitos contatos em português, fui notando que sem saber sueco ia acabar ficando para trás e só apta a conseguir trabalhos que dependessem da minha língua materna. 

Resolvi então largar tudo e me enfiar de cabeça num curso intensivo de sueco. Durante esse período, para me sustentar, dava aulas de dança do ventre, samba e zumba, foi uma experiência bem legal. Sempre amei dançar e dar aulas de dança aqui era muito divertido. Os suecos com os quais tive contato eram, na maioria das vezes, tímidos e reservados, então quando eu entrava na sala de aula com aqueles penachos na cabeça ou com aquelas roupas de dança cheias de brilho, eu LACRAVA! Close puro! 

Como não falava sueco direito, eu me comunicava de tudo que era jeito. Mas também passei alguns perrengues ao me apresentar como dançarina em festas, casamentos e boates a noite. Como meu marido estava sempre por perto, eu me salvei das enrascadas. Enquanto isso cursava sueco; o curso tinha duração de 12 meses, mas consegui terminar em 10, foi muito legal! Ganhei uma bolsa do governo em dinheiro pelo bom resultado e logo consegui um novo emprego.



Desta vez começava na empresa onde trabalho agora. Eles me contrataram inicialmente para dar suporte com tradução simultânea durante as reuniões de um projeto em Angola e ajudar com documentação, mas no meio do caminho, acho que eles perceberam que eu consegui uma melhora significativa na relação com os clientes e fui promovida. Passei então a trabalhar com treinamentos cross-culturais e a mediar interfaces  e comunicações em projetos internacionais. Hoje gosto muito da minha posição, pois apesar de não trabalhar diretamente como psicóloga, minha posição me permite utilizar do meu conhecimento de psicologia diariamente dando treinamentos e trabalhando na mediação de negócios. 

E a área de mestrado em relações internacionais na qual estou me especializando dá conta do resto todo! Acho muito bacana trabalhar com negócios internacionais usando meu conhecimento em psicologia. Acho que seria uma oportunidade da qual muitas pessoas formadas em psicologia poderiam se beneficiar em termos de aprendizado.

Quanto a moradia, com minhas promoções no trabalho, consegui residir melhor. É muito difícil para um imigrante que chega na Suécia, especialmente em Estocolmo, arrumar logo um lugar legal para morar. Os aluguéis aqui são exorbitantes e a concorrência por apartamentos muito grande também.  Quem chega aqui entra numa espécie de fila para esperar um lugar para morar, tem gente na tal da fila há mais de 12 anos que ainda não tem residência fixa. Para muitos, como foi pra mim, é preciso morar no subúrbio por um bom tempo até conseguir se mudar para um lugar melhor. 

Particularmente, eu não gostava muito de morar no meu endereço anterior, não por ser fora da cidade, mas porque local não era tão bonito. No entanto, morar lá foi ótimo em termos financeiros, meu aluguel era muito barato e conforme meu salário foi crescendo fui conseguindo me planejar melhor financeiramente e finalmente comprar meu sonhado apartamento de frente para o mar da Veneza do Norte! Foram três anos de muito sufoco, mas deu tudo certo. Também investi no Brasil e comprei um terreninho lá... Afinal, um dos meus sonhos é um dia poder voltar! 

Resumão: Em 5 anos anos, aprendi 2 línguas novas, o sueco e o croata por conta do marido, comprei um apartamento, fui promovida no trabalho, passei para um mestrado e fiz a especialização em neuroética, além disso consegui visitar cerca de 28 países, a meta ainda é completar 30 países antes dos meus 30 anos, vamos ver se dá! Por hora, to precisando é de férias!

O QUE RECOMENDARIA PARA QUEM VAI SE MUDAR PARA A SUÉCIA? 
1º Aprenda sueco básico o mais rápido possível, comece a estudar no seu país de origem, procure um professor particular. Invista que no futuro compensa!

2º Organize todos os seus documentos escolares, cartas de recomendação e comprovantes de trabalho e ou, qualquer outro documento de importância legal. Traduza todos para a língua inglesa (ou para sueco se for possível) e tente notarizar as traduções em cartório, no ministério das relações exteriores e na embaixada local da Suécia onde você reside. Muitas profissões, especialmente em áreas de saúde na Suécia têm muitas exigências e difícil legalização. 

3º Não compre casacos e sapatos de inverno caros no Brasil, dificilmente você vai encontrar uma loja especializada que venda o que você realmente precisa aqui. Aqui o papo é Titanic! Sabe o Leonardo afundado? Se você vier com casaco fabricado no Brasil, fica sem lugar na tábua.

4º Tente se mudar para cá durante verão sueco (junho, julho, agosto), é mais fácil de se organizar, se locomover e preparar as coisas, uma vez que as cidades ficam mais vazias e as agências do governo com menos filas. 
5º Junte uma graninha de reserva para emergências,  aqui tem papo de comprar um pão por R$20,00. Aqui é caro para quem vem do Brasil.

No mais seja bem vindo às terras vikings e boa sorte, beijo e qualquer coisa me liga! Sou reconhecida aqui por abrigar uns brasileiros perdidos de quando em vez... haha!

Você mora na Suécia e quer compartilhar sua história? Envie um e-mail para: stronglica@gmail.com

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3 de setembro de 2016



É sempre bom falar das coisas lindas que acontecem por aqui e de todas as maravilhas que o país dos vikings oferece, mas nem tudo é perfeito. Pessoas ruins existem em todo lugar, até na Suécia, e espero que este relato sirva para que outras pessoas tomem mais cuidado ao confiar em desconhecidos, mesmo que tudo pareça estar certo.

Já ouvi muitos casos de estelionato envolvendo aluguel de apartamento por aqui. Dos que eu ouvi a respeito, era sempre um imigrante recém-chegado ao país caindo na lábia de quem já mora aqui há muito tempo, não necessariamente um sueco, mas também acontece. É aquele tipo de caso que a gente ouve e nunca pensa que vai acontecer com a gente, mas...

Tudo começou há três meses, quando recebi um aviso de que precisava sair do apartamento no qual estava morando até o final de agosto. O motivo era que a filha da dona do apartamento passaria a morar lá. Pensando ser mais seguro, decidi procurar por outro apartamento logo que recebi o aviso, três meses antes da mudança, assim eu já teria um lugar certo para morar quando acabasse o contrato anterior. 

Foram vários e-mails e vários apartamentos dentre os quais eu poderia escolher, escolhi um com preço acessível e que pareceu seguro. Depois de visitar o apartamento e saber de todos os detalhes, assinei o contrato e transferi o pagamento do primeiro mês e mais o que eles chamam de deposition: um valor (no meu caso, equivalente a mais um mês de aluguel) que seria devolvido ao final do contrato, caso tudo no apartamento estivesse nos conformes.

Não peguei as chaves, porque, segundo a mulher que estava alugando o apartamento, ela ainda morava lá, e iria se mudar e entregar as chaves uma semana antes da minha mudança para lá. Parte do motivo pelo qual eu confiei na palavra dela foi baseada na cultura de confiança que existe na Suécia; há quem diga inclusive que os contratos verbais são juridicamente válidos por aqui.

Fiquei tranquila por muito tempo, já que ela sempre atendia às ligações e sempre respondia às mensagens que eu mandava. Ainda assim, sentia que algo estava errado com o fato de eu não pegar as chaves do apartamento e ter que pagar o primeiro mês de aluguel três meses antes de me mudar, mas ela tinha desculpas tão bem ensaiadas que eu acabei acreditando. 

Uma semana antes da minha mudança, liguei para ela perguntando sobre as chaves; ela dizia que não seria possível entregar as chaves porque a filha dela estava doente e seria melhor alguns dias depois. Liguei dois dias depois e agora ela alegava ser ela a estar doente e que não poderia se encontrar comigo. Um dia depois ela dizia estar no hospital, e depois que iria operar. Outros dias se passaram e eu falei que eu iria buscar as chaves onde elas estivessem, já que eu precisaria me mudar no dia seguinte. Ela dizia que não estava com as chaves e que o marido dela arrumou trabalho em outra cidade e levou todas as chaves do apartamento com ele. 

Dia primeiro de setembro chegou. Seria quando eu deveria desocupar o apartamento anterior e me mudar para o novo apartamento. Não aconteceu. Ela já não atendia mais às ligações, não respondia mensagens, e eu não tinha nenhum lugar onde colocar minhas coisas, nem mesmo onde dormir. O desespero começou a tomar conta. O que caralhas d'água eu faria da minha vida agora? Em um país que não é meu, onde não tem casa de família para onde correr?

Escrevi a ela que chamaria a polícia, e então ela respondeu que estava tentando resolver e que não era necessário fazer isso e que devolveria meu dinheiro. Eu falei que queria um lugar para morar e não dinheiro, mas ela mandou uma confirmação de transferência bancária com um valor que ainda não chegou a minha conta.

O saldo disso tudo: minhas coisas estão em um depósito nada barato (muitas eu tive que jogar fora porque não couberam lá). Já estava ficando bem tarde quando percebi que aquilo não se resolveria naquele dia, então eu liguei para o lugar do depósito meia hora antes de fecharem. Foi tudo muito corrido, mas pelo menos minhas coisas não ficaram na rua. 

Como além de pessoas ruins também existem pessoas boas neste mundo, um amigo conseguiu arrumar uma caminhonete para me ajudar a levar a mudança até o depósito e outra amiga cedeu um quarto onde estou dormindo temporariamente até encontrar outro apartamento. 

A sensação que tenho é de burrice por ter depositado tanta confiança em alguém sem ter certeza de tudo, mas, ainda que muito ruim, isso tudo serve como aprendizado para experiências futuras. Ainda não sei exatamente o que aconteceu, se fui vítima de estelionato ou se ainda há chances de tudo o que ela disse ter sido verdade e se eu terei meu dinheiro de volta. 

Enfim, fica o aviso. Se precisamos tomar cuidado até ao confiar em conhecidos, precisamos redobrá-lo quando se trata de alguém que nunca vimos na vida.

Hej då! 
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18 de julho de 2016

Eu nunca tinha feito um cruzeiro na vida, mas tinha uma certa vontade. O que tinha me impedido até então era o pensamento de gastar dinheiro com algo que me diziam ser só festa, bebedeira e pessoas enjoando por causa do balanço do navio. Outras pessoas até tinham uma opinião melhor a respeito, dependendo do cruzeiro, mas eu preferia não arriscar.

Foto:Birka Cruises

Semana passada foi minha chance de poder tirar minhas próprias conclusões. Aproveitei a visita da minha mãe e do irmãozinho e, já que não tínhamos marcado nenhuma viagem, pensei em finalmente fazer um cruzeiro de poucos dias; além de fazer um passeio com a família, eu iria saber o que é viajar de navio.

Não só a visita fez com que eu optasse por marcar a viagem. Quando liguei para uma amiga para tirar dúvidas, pois ela já tinha feito cruzeiros por aqui, ela falou que tinha um código de desconto e que eu não precisaria pagar a cabine, só a comida. Quem me conhece sabe o quanto sou mão de vaca, então aceitei logo. O código foi tão bom que nem o cruzeiro que seria 100 SEK por pessoa eu precisei pagar. 

DETALHES DO CRUZEIRO
O cruzeiro da vez foi da Birka Cruises. Há diversas opções de cruzeiros no site www.birka.se, o que fomos tem duração de 22 horas, sem sair do navio. A ideia é ir até Mariehamn (capital de Åland, um território da Finlândia), ver as pequenas e lindas ilhas do lugar e voltar para Estocolmo.

Dicas: antes de marcar o cruzeiro, faça o cartão de membro da empresa pelo mesmo site, com ele você ganha vários descontos no navio. Para ser membro, você precisa ter o personnummer (tipo o CPF na Suécia).

DO QUE EU GOSTEI
Foi bem legal a sensação de entrar em um navio pela primeira vez, pois era algo que eu só via em filmes. Não era dos navios mais chiques, mas pra mim até os elevadores eram bem lindos. Nem tudo foi bom, mas gostei de muitas coisas.



A vista é impressionante; é possível ver ilhas inteiras e o arquipélago onde fica Mariehamn é sensacional! O cruzeiro oferece várias opções de entretenimento, inclusive para crianças. Tem teatro, karaoke (cantei lá; clique aqui e veja o vídeo), casino, grupos musicais, discoteca e é tudo com uma qualidade muito boa. 


DO QUE EU NÃO GOSTEI
Nem tudo foi perfeito, a comida no restaurante onde comemos era bem cara e não estava nova. É um bufê que se repete no jantar e no almoço (algumas coisas estavam boas, mas a maioria não). As frutas do café da manhã pareciam ter sido descascadas há três dias e o gosto não estava bom.

Também não gostei de perder no casino as 200 coroas suecas que ganhei no dia anterior. Hahaha.

O CRUZEIRO NO GERAL
Recomendo este passeio de 22 horas para quem vai ficar poucos dias em Estocolmo e não tem outras coisas para fazer na cidade ou para quem quer se divertir um pouco em um ambiente diferente. Muitas pessoas aproveitam esse tipo de passeio curto para fazer compras no free shop. Independente do motivo, gostei bastante da experiência de fazer um cruzeiro e tenho certeza de que irei fazer outros diferentes.




Fique com os vídeos que gravei pelo Snapchat durante a viagem:


Beijos e hej då!
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27 de junho de 2016

Foi em julho de 2015 quando uma amiga resolveu sair por uns dias do Brasil e me fazer uma visita. Ela já vinha com o pensamento de que não ficaria apenas na Suécia, mas que visitaria algum lugar nos arredores também. Ela é daquelas pessoas aventureiras, que gostam do contato com a natureza e já visitou vários países por aí. Dessa vez, ela decidiu que iria à Noruega e, como eu ainda não tinha passeado por lá, decidi acompanhar.

Nossa escolha foi juntar quatro pessoas para uma viagem de carro indo da Suécia à Noruega. Passamos por vários lugares: Oslo, Bergen, Flåm e outras cidadezinhas. No entanto, este post é dedicado ao lugar mais incrível que já fui/vi na vida inteira até hoje: TROLLTUNGA.


O QUE É?
Trolltunga é uma palavra norueguesa cuja tradução é “Língua do Troll”. Este nome foi dado a uma pedra com o formato parecido com o de uma língua no alto de uma montanha, na qual os turistas posam para as fotos e de onde é possível ter uma vista inacreditável de tão linda.

PREPARATIVOS PARA A TRILHA
Eu não estava nada preparada para fazer trilha, especialmente uma trilha com chuva, neve, lama, etc. Eu não tinha absolutamente nada, comprei menos ainda e essa não foi a melhor ideia.

CALÇADOS: a começar pelo meu tênis, não comprei um sapato apropriado... ao invés disso, cobri o tênis com Silver tape e coloquei sacos plásticos entre a meia e o tênis. Adiantou? Nadinha.

Repare no tênis com Siver Tape
ALIMENTAÇÃO: uma coisa que preparamos bem foi a comida. Fizemos sanduíches de pão de forma com presunto e queijo e colocamos de volta na mesma embalagem do pão. Além disso, levamos algumas frutas e MUITA água! Fica pesado na ida, mas vai ficando leve à medida que vamos comendo/bebendo. 
Fora isso, eu levei duas capas de chuva descartáveis, bem fininhas, mas ajudaram bastante. E um casaco de inverno também, o qual tirei várias vezes durante a caminhada, mas é necessário.

Røldal Booking: onde ficamos hospedados 
HORÁRIO: não me lembro exatamente a hora que começamos a trilha, mas saímos muito cedo do lugar onde estávamos hospedados; o mais próximo de Trolltunga que achamos para passar a noite: Røldal Booking, que fica cerca de 50km do início da trilha.

Chegando lá, só pagamos pelo estacionamento e começamos a trilha...

O CAMINHO ATÉ TROLLTUNGA
A trilha de Trolltunga tem um total de 22 km se contarmos ida e volta (Demoramos cerca de cinco horas na ida e mais cinco na volta). É um desafio e tanto, principalmente para uma pessoa que não se exercita, tem joelhos não muito saudáveis e nunca tinha feito trekking na vida, neste caso, eu mesma. A trilha de Trolltunga é considerada de nível difícil, mas, se eu consegui fazer, pode ter a certeza de que você também consegue!

Algumas dicas/informações no começo da trilha  ::  Foto: Thay Cavalcante
O PRIMEIRO QUILÔMETRO foi o mais difícil da ida. Já que a escada de madeira do começo da trilha estava interditada, pegamos um caminho alternativo, com pedras de todos os tamanhos possíveis em uma subida não muito amigável. De vez em quando a gente dava uma escorregada básica porque tinha chovido, mas algumas cordas estavam ali para ajudar com que não escorregássemos ainda mais.

Volta e meia tinha uma chuvinha fina que incomodava um pouco, mas é tanta coisa pra curtir que é só colocar a capa de chuva e continuar admirando o que a trilha até Trolltunga tem a oferecer...

Plaquinhas da felicidade  ::  Foto: Thay Cavalcante
Cada plaquinha marcando mais um quilômetro percorrido era um sorriso bobo no rosto. O caminho era uma metamorfose, já que as paisagens mudavam completamente à medida que a gente ia andando; tinha neve, pedras, lama, montanhas e mais neve. Tinha de tudo na trilha, pessoas passeando com seus cachorros, casais de velhinhos super tranquilos ultrapassando todo mundo, pessoas acampando e até gente que parecia correr por ali todo dia de manhã sem levar nem uma mochilinha com água.

O caminho até Trolltunga também oferece imagens magníficas!
Uma paisagem diferente para cada quilômetro percorrido.
Ice Age feelings
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A gente não parou muito para comer, acho que fizemos umas duas ou três paradas rápidas e às vezes a gente comia andando mesmo. O mais legal é que cada um de nós quatro foi fazendo a trilha no seu tempo, sem se preocupar em esperar ou correr para alcançar o outro. Vez ou outra a gente se ultrapassava, andava junto, mas sem compromisso.

A MAGIA DE TROLLTUNGA
Se eu fosse tentar explicar o que é estar em Trolltunga, você não estaria lendo este post, porque Trolltunga é inexplicável... O que eu consigo dizer a respeito é que, até hoje, foi o lugar mais maravilhoso que já vi:

Trolltunga!!!
A PIOR PARTE: A VOLTA
Ao sair de lá, eu pensei que a volta seria tranquila, afinal eu já tinha subido tudo aquilo e “pra descer todo santo ajuda”, certo? Errado! A trilha na volta é dolorosa. Ao final, entramos em um consenso de que teria sido melhor subir duas vezes do que subir e descer. Não é à toa que meu joelho ficou doendo por alguns meses, mas isso porque eu já tinha alguns probleminhas.

Os mesmos velhinhos que vimos na ida, no entanto, estavam sorridentes, tranquilos e de roupas limpas(!).

Eu só queria chegar ao fim ou parar e ficar por ali mesmo pra sempre. Parecia que meu joelho iria quebrar, meu corpo já estava todo inchado quando cheguei lá em cima, e na volta só ficou pior. Por isso eu recomendo a quem quiser ir a Trolltunga bons calçados, joelhos saudáveis, bastões de caminhada e ir devagar na volta.

O que eu posso tirar de positivo disso tudo é que eu nunca imaginei que eu conseguiria andar 22km de uma trilha nas montanhas, repleta de subidas, descidas e mais vários pequenos desafios pelo caminho. Ali eu percebi que eu posso ir além dos meus limites e posso muito mais do que eu imaginei!

SALDO 
O resultado no fim foi o corpo inchado, pés encharcados, joelhos doloridos por uns três meses, a memória de um lugar mágico e uma experiência da qual eu nunca vou me esquecer e a certeza de que nada do que escrevi aqui consegue explicar o que é aquela vista quando estamos na Língua do Troll!



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8 de junho de 2016

É quase certo que, se você vai viajar para Estocolmo, você irá comprar um cartão de transporte. Este mesmo cartão dá a você a possibilidade de visitar uma galeria de arte incrível: as estações de metrô da cidade.

Existem exatamente 100 estações de metrô em Estocolmo, divididas entre as linhas verde, vermelha e azul. Quando cheguei por aqui, ficava sempre olhando pela janela do metrô para observar e admirar as estações que ia conhecendo, repletas de obras artísticas que variam entre esculturas, pinturas, mosaicos e muitas outras formas de arte.
Estação Vreten - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
A MAIOR GALERIA DE ARTE DO MUNDO
Há quem considere que as estações de metrô em Estocolmo formam a maior galeria de arte do mundo, já que o metrô percorre quase 110 km e mais de 90 de suas 100 estações apresentam obras artísticas de mais de 150 artistas, as quais começaram a surgir nos anos 50.
É incrível como  qualquer pessoa que ande de transporte público em Estocolmo pode ter acesso a obras de arte magníficas como as das estações de metrô da cidade.

Estação Duvbo - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
QUANDO ME APAIXONEI DE VERDADE
Desde que cheguei à Suécia, a maioria dos lugares onde morei era perto de estações da linha verde, não por algum motivo especial. Fiquei muito tempo sem conhecer as estações da linha azul de Estocolmo, já que eu não tinha muitos compromissos que me fizessem passar por ali, mas eu sabia da fama que estas estações tinham de serem as mais bonitas.

Foi quando fiquei sabendo de um InstaRide (passeio de usuários do Instagram) que aconteceria em setembro do ano de 2014. A ideia era pegar o metrô até uma certa estação final da linha azul e parar em estações que pareciam interessantes para fotografar. Fiquei animada pois além de conhecer as famosas estações mais belas da cidade, eu ainda teria a chance de conhecer pessoas legais.

Estação Vreten - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Com estações subterrâneas e estruturas cavernosas, a linha azul de metrô em Estocolmo tem obras artísticas e detalhes de tirar o fôlego. Foi amor à primeira vista por cada uma das estações por onde a gente passou aquele dia. Depois disso, voltei várias vezes por lá, sem compromisso, só pra ver e fotografar as estações.

Estação Rinkeby - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Estação Rissne - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Estação Duvbo - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Caso você venha passear por Estocolmo, tente separar um tempinho para visitar pelo menos algumas dessas estações, você não vai se arrepender!

Beijos e Hej då!
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6 de junho de 2016

*Este post faz parte da blogagem coletiva realizada por Blogueiros Brasileiros na Escandinávia. Veja os participantes no final do post.

Há mais ou menos três anos, no dia 1º de junho de 2013, eu vim morar na Suécia. Há pouco mais de três anos, eu não sabia absolutamente nada sobre o país aonde eu estava indo morar, eu não sabia nem mesmo onde a Suécia ficava no mapa ou se Suécia e Suíça eram países diferentes. Tudo aconteceu tão rápido, que eu nem me lembro mais como foi a escolha de vir morar aqui. A memória da minha decisão sobre morar na Suécia não existe, o que há em mim é uma lembrança vaga daquilo que mais se pareceu com um “deixa a vida me levar”.
O PESO DA ESCOLHA
Decidir deixar família, amigos e toda a facilidade que existe em morar no seu próprio país poderia ter sido complicada para muitas pessoas, enquanto eu dizia sim apenas para a felicidade da realização do sonho de viajar para outro país. Eu não levei em conta e tampouco disse sim para saudade enorme que eu viria a sentir, afinal, eu já tinha me mudado tanto de cidade no Brasil, morado longe da família, encontrado novos amigos em cada novo lugar, sem falar que seria só pegar o avião para todos estarem juntos novamente no dia seguinte; não pensei em custos, tempo, distância, dificuldades... talvez um engano comum de uma pessoa que acabara de se formar na faculdade, que só brincava de ser independente, mas que nunca tinha tido a real oportunidade de cuidar de si por conta própria.

Eu só fui sentir um pouco do peso da escolha de morar fora quando eu estava de malas prontas, despedindo-me da minha mãe no aeroporto, sem nem ter data para passear no Brasil. Foi ali que eu chorei muito, não só pelo medo de viajar sozinha de avião pela primeira vez, mas porque eu comecei a perceber ali que aquilo seria muito mais que “uma simples viagem internacional”.

REAPRENDENDO A CAMINHAR
A Suécia me encantou e ainda me encanta desde o primeiro segundo que pisei no país, quando eu vi a organização da cidade ou quando, ao voltar de uma viagem para o Brasil, eu vi neve pela primeira vez na vida; e era tudo tão limpo e organizado e lindo! Chegar a um país diferente, sem falar o idioma local, é como nascer de novo, é como reaprender a dar os primeiros passos... No começo, cheguei a pensar que eu me adaptaria rápido, mas até mesmo fazer compras em um supermercado era uma luta; horas para achar um produto parecido com algo que eu conhecia no Brasil, embalagens diferentes, idioma diferente, até a disposição dos produtos, era tudo diferente! O que me restava era comprar o básico para não ficar com fome ou para não comprar ração de gato achando que era picanha.

Algum tempo depois, comecei a perceber que são muitas as coisas diferentes, melhores ou piores, das mais simples às mais complicadas. Fui percebendo que se adaptar a outra cultura tomaria muito mais do meu tempo do que eu imaginava, já que até para saber como separar e onde jogar o lixo eu demorava traduzindo as palavras da estação de reciclagem. E só agora, com três anos morando na Suécia, as coisas estão começando a ficar mais claras, mas foi há muito tempo quando eu descobri que seria preciso aprender bem mais do que só a língua nativa.

TRÊS ANOS NA SUÉCIA
Cada pequena descoberta é uma vitória quando se está em um país totalmente diferente do seu. A sensação de descobrir que existe leite condensado em um supermercado sueco acaba sendo tão boa quanto ganhar na loteria! As pessoas, a comida, os lugares, as expressões, os costumes, tudo pode provocar estranheza à primeira vista;  mas com o tempo a gente se acostuma tanto que nem se lembra mais o porquê de aquilo ter sido tão difícil ou diferente no começo.
Quando eu ainda morava no Brasil, encontrar as coisas das quais eu gostava era muito mais fácil. Lá eu era bem mais ativa do que quando cheguei por aqui; eu andava de skate, fazia aula de violino, tocava em orquestras, era fácil encontrar um curso de dança que não fosse tão caro. Aqui, para conseguir minha primeira aula de violino, eu tive que deixar a vergonha de lado muito tempo depois de ter chegado na cidade e perguntar o cara que estava tocando no bar se ele poderia me dar aulas, depois disso ele me deu várias alternativas sobre como eu poderia estudar música por aqui, falou de opções que eu talvez nunca teria descoberto por conta própria.

Foi assim que eu percebi que eu teria que perder a vergonha de pedir ajuda mesmo para as coisas que poderiam parecer simples para um nativo. Com o passar destes três anos eu já encontrei várias pistas de skate para andar, comprei um violino novo e no mês passado eu tive a primeira apresentação com a orquestra da qual comecei a fazer parte, além disso, encontrei e tenho encontrado várias pessoas que se tornaram grandes amigas e fontes para troca de experiências e aprendizados. Só agora, três anos depois, eu começo a me sentir confortável na sociedade sueca, consigo me comunicar usando a língua nativa e às vezes até me lembro de palavras só em sueco e tenho que traduzir para achar o equivalente em português.

Mudar de país pode ser muito difícil no começo, mas a experiência de vida e a sensação do aprendizado de como se virar em um lugar totalmente desconhecido, sem a família por perto para resolver tudo você, dá um prazer enorme quando se olha para trás. O mais importante é perceber que isso não acontece só com a mudança para outro país, mas com qualquer pequena mudança diária, interior ou exterior, que tenha servido para o desenvolvimento pessoal e que faça a vida valer muito mais a pena!

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Blogs participantes da blogagem coletiva:


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Por Victória Freitas

authorOi, Eu sou a Vic, autora do blog Morando na Suécia.
Quer saber mais?



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