22 de fevereiro de 2016

Há quase dois anos, aproveitamos o feriado de Páscoa e pegamos o carro para viajar por algumas cidades da Suécia e pela capital da Dinamarca. Não sei por que ainda não tinha escrito a respeito no blog, mas aqui está. É uma ideia de roteiro pra quem quiser fazer uma roadtrip de quatro dias e conhecer outras cidades além de Estocolmo. Durante estes quatro dias, visitamos cerca de oito cidades/regiões em dois países! Pode parecer corrido, mas se tudo for como o planejado e você começar o dia cedinho, dá pra conhecer tudo tranquilamente.

É óbvio que depois de tanto tempo eu não lembro todos os detalhes, como horário de saída e chegada nos lugares, mas algumas coisas ainda consigo lembrar.

A ideia era de, na ida, passar pelo interior, pegar um pedaço da costa oeste e, na volta, passar pela costa leste.

RUÍNAS DO CASTELO BRAHEHUS
A nossa primeira parada foi nas ruínas do castelo Brahehus, que fica há 3 km de Gränna, Jönköping. As ruínas do castelo situam-se a 270 metros acima do nível do mar e 180 metros acima do lago Vättern. A vista panorâmica do mar e da ilha de Visingsö é de tirar o fôlego de tão maravilhosa!

Ruínas do Brahehus      ::     Foto: Victória Freitas
O castelo Brahehus foi construído por volta de 1640, abandonado em 1680 e sofreu um incêndio em 1708. Ele fica bem perto da rodovia E4, muitos turistas passam por ali e, se não me falha a memória, acho que tem um restaurante por lá. Só ficamos um pouco para admirar a vista, tirar umas fotos e cair na estrada de novo.

GRÄNNA
Passamos também por Gränna, uma cidadezinha do condado de Jönköping, onde foi criado o famoso Polkagris (aquela bengalinha doce listrada de vermelho e branco). A tradição de fabricar doces na cidade existe há muitos anos.

Polkagris nas cores do Brasil em homenagem a nós (mentira.. haha)   ::   Foto: Victória Freitas
Não ficamos muito tempo por lá, só demos uma passada básica em uma fábrica de doces muito bonitinha, vimos como o polkagris é feito, compramos doces e mais doces e voltamos a viajar.

JÖNKÖPING (CIDADE)
Jönköping também foi uma das cidades nas quais paramos por pouco tempo para dar uma descansada da estrada. Aproveitamos pra dar uma olhada em mais um pedaço do segundo maior lago da Suécia: Vättern.

GÖTEBORG
Gotemburgo é a segunda maior cidade da Suécia (a maior é Estocolmo) e uma das mais conhecidas por turistas e estudantes.


Decidimos ficar mais tempo, já que a cidade é muito bonitinha e seria ótimo dar uma passeada mais longa por lá. Aproveitamos o restante do primeiro dia pra andar pelo centro da cidade, tomar um café, fotografar e descansar.

Não tínhamos marcado hotel antes de viajar, porque não sabíamos qual seria o ritmo da viagem. Enquanto passeávamos pela cidade, decidimos que passaríamos a primeira noite ali. Conseguimos encontrar um hostel muito legal. Chegamos lá, jantamos (o famoso macarrão instantâneo, vulgo miojão) e fomos dormir.

Acordamos cedo no outro dia para conhecer mais da cidade e fazer coisas normais de turista. Tomamos um café e, já que o próximo destino já sabíamos que iríamos provavelmente acampar, passamos no supermercado e compramos algumas coisas pra fazer churrasco (do jeito sueco, com mini churrasqueiras descartáveis).

TYLOSÄND (HALMSTAD)
Aproveitamos o tempo bom e fomos pra praia, não que tenhamos entrado na água gelada, mas pelo menos tivemos a chance de ver a praia mais bonita da Suécia (segundo os próprios suecos), famosa pelos seus 7km de praia. Com as praias maravilhosas do Brasil, não achamos essa praia lá tão especial.

Praia de Tylosänd      ::       Foto: Victória Freitas
Agora vamos à parte passando vergonha na viagem...
Já sabíamos que queríamos acampar, então indicaram pra gente um parque de camping maravilhoso, super organizado e bem pertinho da praia. O problema é que nossa ideia de acampamento é bem diferente da ideia na mente sueca: enquanto TODOS no lugar estavam com seus trailers super chiques (parecendo casas, com varanda mobiliada e tudo), a gente tava lá montando duas barraquinhas que, apesar de pequenas, chamavam atenção mais que qualquer coisa. Aproveitamos e colocamos logo a bandeira do Brasil entre elas, o que atraiu olhares ainda mais estranhos pro nosso lado.

Enfim, fizemos nosso churrasquinho, curtimos o clima gostoso da praia e passamos a segunda noite por lá.

COPENHAGUE (DINAMARCA)
Saímos bem cedinho da praia e partimos a caminho da capital da Dinamarca, Copenhague. Ficamos o dia inteiro por lá e visitamos alguns dos pontos turísticos principais e centrais da cidade.

Foto: Victória Freitas
Foto: Victória Freitas
CHRISTIANIA
Um dos pontos mais interessantes da viagem a Copenhague foi passar pela comunidade independente Christiania. Cerca de 850 pessoas vivem na comunidade que tem suas próprias leis, moeda e inclusive comércio de drogas como maconha (o que era considerado ok até 2004).

Antigamente, Christiania era uma área de bases militares que foi abandonada e ocupada por hippies, artistas, anarquistas, como uma forma de protesto ao governo da Dinamarca.

Protesto em Christiania  ::   Foto: Victória Freitas
Infelizmente não é permitido fotografar dentro da comunidade, já que o comércio de drogas é proibido, mas ainda acontece por lá. O interior é muito peculiar, com paredes graffitadas, alguns suportes com cigarros de maconha pra quem quiser pegar e uma área natural bem bonita com um lago ao redor do qual as pessoas sentam para fazer piqueniques e "viajar".

Quando estávamos saindo de lá, percebemos uma enorme quantidade de pessoas fazendo um protesto na entrada de Christiania aos gritos de "fri hash nu" (maconha livre agora), música alta e alguns policiais. Nessa hora, eu tentei tirar foto da entrada do local, mas jogaram algumas coisas em mim. Pensei: poxa, então não posso tirar foto nem daqui que jogam ovos em mim? Até me afastar e perceber que tinham jogado vários cigarros de maconha ao meu redor. Hahaha

Não... não fumei. Juro. =)

MALMÖ
Saímos de Copenhague já no finalzinho do dia e, no caminho de volta pra Estocolmo, fizemos uma rota diferente, com a primeira parada em Malmö, terceira maior cidade da Suécia.

Já fomos direto procurar um hostel, já que chegamos à noite na cidade. No outro dia de manhã tomamos café no próprio hostel e demos uma volta pela cidade. Como era nosso último dia de viagem, ficamos pouco tempo por lá pra dar tempo de chegar tranquilo em casa.

ÖLAND
Seguindo nosso caminho, paramos para almoçar na segunda maior ilha da Suécia, um lugar maravilhoso, com uma vista magnífica do mar báltico: Öland.

Foto: Karla Majic
Estava bem frio por lá e o vento tava castigando. Como parecia que a chuva estava vindo, resolvemos só dar uma passeada de carro pela ilha e continuamos nosso caminho de volta à Estocolmo.

EDSBRUK (TINDERED)
Achamos que de Öland iríamos direto para Estocolmo, mas resolvemos parar na estrada para um café e encontramos um lugar muito aconchegante, lindo: Tindered Lantkök, onde resolvemos ficar até o pôr do sol, um dos mais perfeitos que já vi.
Tindered Lantkök    ::     Foto: Victória Freitas
Foto: Victória Freitas
Depois do pôr do sol maravilhoso pra fechar a viagem com chave de ouro, seguimos para Estocolmo, com a lembrança de uma das viagens mais legais que já fizemos.


Olha só o videozinho que fiz... =)



Hej då!
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12 de fevereiro de 2016

A experiência de morar em outro país, com uma cultura totalmente diferente, é repleta de aprendizados. Mas morar longe da família, principalmente sem saber fazer quase nada sozinha (eu mesma...) é extremamente difícil no começo. Com o tempo a gente acostuma e só o que resta para aprender é como lidar com a saudade.

Morando na Suécia, eu aprendi um bocado de coisas que considero muito valiosas, coisas simples, sobre o mundo ao redor, sobre mim mesma, que tenho certeza que vou levar pra vida inteira.



1 APRENDI DUAS LÍNGUAS
Sim... quando cheguei à Suécia, eu mal sabia falar algumas palavras em inglês. Na escola que aprendi sueco, as pessoas tentavam conversar comigo em inglês, eu até entendia bastante, mas quando tentava responder não saía nadinha. Então, onde era pra eu aprender sueco, acabei aprendendo inglês também. =)

Depois de algum tempo morando aqui, também fiz um curso de inglês, já que eu precisaria ter o que eles dizem ser "nível 6" de inglês para o caso de eu querer tentar um mestrado, por exemplo. O curso durou 10 semanas.

Hoje, trabalho com línguas. Faço tradução de documentos de inglês para português (e vice versa), e na empresa as conversas e reuniões são todas em sueco. Sem falar que outras línguas acabam entrando no pacote. Quando viajei pra Noruega, por exemplo, entendia tudo o que falavam.

2 APRENDI A COZINHAR
Eu cheguei aqui sem saber fritar um ovo direito. Isso é tão sério que uma vez fui fazer almoço pra mim, o bife queimou, o arroz ficou daquele jeito que me faltam palavras (tava parecendo mais uma pasta de farinha com água), o feijão ficou salgado demais e, juro, nem o purê de batatas eu acertei (não cozinhei a batata direito e bati no liquidificador com sal, sem leite e manteiga, ficou parecendo cola). Como eu tava com fome, tive que comer, né? Comi chorando. Sério.

Ah, mas por que não comer em restaurante então? Por um motivo muito simples: se tem uma coisa que eu tenho pavor na Suécia é de ir a restaurante. Primeiro, porque eu sou muito chata com comida, não como de tudo e, a comida aqui, na minha opinião, não chega nem aos pés daquela comida mineira deliciosa. Segundo, porque o preço... nem comento.

Achei que nunca fosse aprender a cozinhar, até bolo de caixinha aqui dava errado (o que nunca aconteceu no Brasil). Enfim a minha sorte mudou, e foi quando o rapaz com quem dividíamos o apartamento recebeu uma visita iluminada: tio Pepê! Ele cozinha tão bem, pratos "magníficos", como ele mesmo fala; foi quando comi bem até dizer chega e aproveitei pra pegar algumas dicas de cozinha. A partir daí foi só alegria. Hoje cozinho de tudo, inclusive já fiz pão de queijo, pastel e coxinha. A última foi me aventurar com um doce de casca de laranja em calda; magnífico!

3 APRENDI A NÃO ME IMPORTAR
Quando eu morava no Brasil eu me importava muito com o que outras pessoas comentavam, porque qualquer coisa diferente do comum é motivo pra comentarem. Durante os nove anos em que andei de skate, usando roupas folgadas e sem me ligar pra coisas de menina, sofri muito preconceito e acabava ficando triste com isso, apesar de no geral me divertir com a ideia de ser a ovelha negra da família.

Já aqui, pelo fato de a sociedade não cobrar muito, você pode ser o que bem quiser e, mesmo que queira chamar atenção, pode correr o risco de ninguém nem olhar para você, já que o diferente é normal. As pessoas parecem não julgar. Eu me sinto à vontade pra sair qualquer dia sem maquiagem, com um monte de roupa sobrepondo a outra por causa do frio, de um jeito que só seria aceitável dentro de casa, sozinha, com a cortina fechada e a luz apagada... e me sinto bem, porque, sério, ninguém se importa!

E, com isso, eu passei a me acostumar com a ideia de deixar passar comentários negativos, e não sofro mais com coisa boba. Ok, um pouquinho talvez de vez em quando.

4 APRENDI A ME ACHAR BONITA
Se tem uma coisa que faz a mulher sofrer no Brasil é a indústria da beleza, querendo impor padrões impossíveis de serem alcançados por todas. É impressionante como isso chega a ser cruel em muitos casos. E brasileiro não mede palavras pra comentar daquele seu "defeito" (eu também não era lá a santa...), assim muitas pessoas já falaram mal das estrias que tenho, ou que eu estava magra demais e, acredite se quiser, duas mulheres pegaram nos meus peitos sem minha permissão e fizeram comentários negativos na frente de várias pessoas; uma delas com um histórico de cirurgias plásticas de beleza. 

Fiz tratamento pra estria, não adiantou. Tentei comer o mundo pra engordar, continuo um palito. Já pensei em fazer plásticas em diversas partes do meu corpo e ainda bem que não gastei meu dinheiro com isso!

Aqui, as pessoas comentam dos detalhes que acham bonitos. E, por eu ter traços diferentes, já elogiaram a cor do meu olho, da minha pele, do meu cabelo... com isso, eu comecei a perceber detalhes em mim que eu nunca tinha reparado e passei a ver tudo mais bonito. Parece mágica; agora me olho no espelho e, mesmo o que antes eu queria mudar, eu acho perfeito. Porque é perfeito, não tem defeito; ninguém tem defeito. Defeitos são definidos a partir de padrões de beleza, os quais sempre mudam, principalmente de acordo com o olhar e o gosto de cada um. E everybody sabe que é impossível agradar everybody

Aprendi a me achar bonita do jeito que eu sou e liguei o foda-se. Você deveria fazer o mesmo!

5 APRENDI QUE NINGUÉM É MELHOR QUE NINGUÉM
Na empresa onde trabalho, meu chefe não tem um escritório separado, os líderes e gerentes de projetos também não. Estão todos ali, no mesmo tipo de mesa que eu, enfileirados, independente do cargo que ocupam. Isso é muito comum na Suécia; o pensamento de que ninguém é melhor que ninguém, nem mesmo os políticos

No Brasil, a impressão que tenho é de que todo mundo tem aquele medo de falar com o chefe, ou com uma pessoa que ocupe um cargo considerado mais importante. Eu era assim...

Aqui, isso mudou. Não fico me tremendo toda na hora de falar em uma reunião com essas pessoas. Não há aquela mentalidade de "você sabe com quem você tá falando?". Pelo contrário, às vezes as pessoas têm até vergonha de mostrar que têm o melhor ou que sabem mais. Todo mundo se trata com respeito e educação e igualdade! E isso é lindo!

Por hoje é isso. 
Ainda espero pelo dia que irei escrever que aprendi a chegar no horário marcado. ^^

Beijos e hej då!!!

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9 de fevereiro de 2016

Nesta terça-feira, dia 09 de fevereiro de 2016, é dia de comemorar o chamado Fettisdagen na Suécia. Traduzido livremente, o nome fica algo como "Dia Gordo" ou "Terça-Feira Gorda". 

Aqui, isso também significa que é dia de comer muito Semla, uma guloseima tipicamente sueca que abarrota as vitrines de todos os cafés e lanchonetes das cidades durante o Fettisdagen e a semana que o antecede.

Quer saber de que é feito o Semla, o que é o Fettisdagen e o que esse dia tem a ver com o Carnaval no Brasil? É só continuar lendo...

SEMLA  -   Foto: Baws.se
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Por Victória Freitas

authorOi, Eu sou a Vic, autora do blog Morando na Suécia.
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