27 de junho de 2016

Foi em julho de 2015 quando uma amiga resolveu sair por uns dias do Brasil e me fazer uma visita. Ela já vinha com o pensamento de que não ficaria apenas na Suécia, mas que visitaria algum lugar nos arredores também. Ela é daquelas pessoas aventureiras, que gostam do contato com a natureza e já visitou vários países por aí. Dessa vez, ela decidiu que iria à Noruega e, como eu ainda não tinha passeado por lá, decidi acompanhar.

Nossa escolha foi juntar quatro pessoas para uma viagem de carro indo da Suécia à Noruega. Passamos por vários lugares: Oslo, Bergen, Flåm e outras cidadezinhas. No entanto, este post é dedicado ao lugar mais incrível que já fui/vi na vida inteira até hoje: TROLLTUNGA.


O QUE É?
Trolltunga é uma palavra norueguesa cuja tradução é “Língua do Troll”. Este nome foi dado a uma pedra com o formato parecido com o de uma língua no alto de uma montanha, na qual os turistas posam para as fotos e de onde é possível ter uma vista inacreditável de tão linda.

PREPARATIVOS PARA A TRILHA
Eu não estava nada preparada para fazer trilha, especialmente uma trilha com chuva, neve, lama, etc. Eu não tinha absolutamente nada, comprei menos ainda e essa não foi a melhor ideia.

CALÇADOS: a começar pelo meu tênis, não comprei um sapato apropriado... ao invés disso, cobri o tênis com Silver tape e coloquei sacos plásticos entre a meia e o tênis. Adiantou? Nadinha.

Repare no tênis com Siver Tape
ALIMENTAÇÃO: uma coisa que preparamos bem foi a comida. Fizemos sanduíches de pão de forma com presunto e queijo e colocamos de volta na mesma embalagem do pão. Além disso, levamos algumas frutas e MUITA água! Fica pesado na ida, mas vai ficando leve à medida que vamos comendo/bebendo. 
Fora isso, eu levei duas capas de chuva descartáveis, bem fininhas, mas ajudaram bastante. E um casaco de inverno também, o qual tirei várias vezes durante a caminhada, mas é necessário.

Røldal Booking: onde ficamos hospedados 
HORÁRIO: não me lembro exatamente a hora que começamos a trilha, mas saímos muito cedo do lugar onde estávamos hospedados; o mais próximo de Trolltunga que achamos para passar a noite: Røldal Booking, que fica cerca de 50km do início da trilha.

Chegando lá, só pagamos pelo estacionamento e começamos a trilha...

O CAMINHO ATÉ TROLLTUNGA
A trilha de Trolltunga tem um total de 22 km se contarmos ida e volta (Demoramos cerca de cinco horas na ida e mais cinco na volta). É um desafio e tanto, principalmente para uma pessoa que não se exercita, tem joelhos não muito saudáveis e nunca tinha feito trekking na vida, neste caso, eu mesma. A trilha de Trolltunga é considerada de nível difícil, mas, se eu consegui fazer, pode ter a certeza de que você também consegue!

Algumas dicas/informações no começo da trilha  ::  Foto: Thay Cavalcante
O PRIMEIRO QUILÔMETRO foi o mais difícil da ida. Já que a escada de madeira do começo da trilha estava interditada, pegamos um caminho alternativo, com pedras de todos os tamanhos possíveis em uma subida não muito amigável. De vez em quando a gente dava uma escorregada básica porque tinha chovido, mas algumas cordas estavam ali para ajudar com que não escorregássemos ainda mais.

Volta e meia tinha uma chuvinha fina que incomodava um pouco, mas é tanta coisa pra curtir que é só colocar a capa de chuva e continuar admirando o que a trilha até Trolltunga tem a oferecer...

Plaquinhas da felicidade  ::  Foto: Thay Cavalcante
Cada plaquinha marcando mais um quilômetro percorrido era um sorriso bobo no rosto. O caminho era uma metamorfose, já que as paisagens mudavam completamente à medida que a gente ia andando; tinha neve, pedras, lama, montanhas e mais neve. Tinha de tudo na trilha, pessoas passeando com seus cachorros, casais de velhinhos super tranquilos ultrapassando todo mundo, pessoas acampando e até gente que parecia correr por ali todo dia de manhã sem levar nem uma mochilinha com água.

O caminho até Trolltunga também oferece imagens magníficas!
Uma paisagem diferente para cada quilômetro percorrido.
Ice Age feelings
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A gente não parou muito para comer, acho que fizemos umas duas ou três paradas rápidas e às vezes a gente comia andando mesmo. O mais legal é que cada um de nós quatro foi fazendo a trilha no seu tempo, sem se preocupar em esperar ou correr para alcançar o outro. Vez ou outra a gente se ultrapassava, andava junto, mas sem compromisso.

A MAGIA DE TROLLTUNGA
Se eu fosse tentar explicar o que é estar em Trolltunga, você não estaria lendo este post, porque Trolltunga é inexplicável... O que eu consigo dizer a respeito é que, até hoje, foi o lugar mais maravilhoso que já vi:

Trolltunga!!!
A PIOR PARTE: A VOLTA
Ao sair de lá, eu pensei que a volta seria tranquila, afinal eu já tinha subido tudo aquilo e “pra descer todo santo ajuda”, certo? Errado! A trilha na volta é dolorosa. Ao final, entramos em um consenso de que teria sido melhor subir duas vezes do que subir e descer. Não é à toa que meu joelho ficou doendo por alguns meses, mas isso porque eu já tinha alguns probleminhas.

Os mesmos velhinhos que vimos na ida, no entanto, estavam sorridentes, tranquilos e de roupas limpas(!).

Eu só queria chegar ao fim ou parar e ficar por ali mesmo pra sempre. Parecia que meu joelho iria quebrar, meu corpo já estava todo inchado quando cheguei lá em cima, e na volta só ficou pior. Por isso eu recomendo a quem quiser ir a Trolltunga bons calçados, joelhos saudáveis, bastões de caminhada e ir devagar na volta.

O que eu posso tirar de positivo disso tudo é que eu nunca imaginei que eu conseguiria andar 22km de uma trilha nas montanhas, repleta de subidas, descidas e mais vários pequenos desafios pelo caminho. Ali eu percebi que eu posso ir além dos meus limites e posso muito mais do que eu imaginei!

SALDO 
O resultado no fim foi o corpo inchado, pés encharcados, joelhos doloridos por uns três meses, a memória de um lugar mágico e uma experiência da qual eu nunca vou me esquecer e a certeza de que nada do que escrevi aqui consegue explicar o que é aquela vista quando estamos na Língua do Troll!



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8 de junho de 2016

É quase certo que, se você vai viajar para Estocolmo, você irá comprar um cartão de transporte. Este mesmo cartão dá a você a possibilidade de visitar uma galeria de arte incrível: as estações de metrô da cidade.

Existem exatamente 100 estações de metrô em Estocolmo, divididas entre as linhas verde, vermelha e azul. Quando cheguei por aqui, ficava sempre olhando pela janela do metrô para observar e admirar as estações que ia conhecendo, repletas de obras artísticas que variam entre esculturas, pinturas, mosaicos e muitas outras formas de arte.
Estação Vreten - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
A MAIOR GALERIA DE ARTE DO MUNDO
Há quem considere que as estações de metrô em Estocolmo formam a maior galeria de arte do mundo, já que o metrô percorre quase 110 km e mais de 90 de suas 100 estações apresentam obras artísticas de mais de 150 artistas, as quais começaram a surgir nos anos 50.
É incrível como  qualquer pessoa que ande de transporte público em Estocolmo pode ter acesso a obras de arte magníficas como as das estações de metrô da cidade.

Estação Duvbo - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
QUANDO ME APAIXONEI DE VERDADE
Desde que cheguei à Suécia, a maioria dos lugares onde morei era perto de estações da linha verde, não por algum motivo especial. Fiquei muito tempo sem conhecer as estações da linha azul de Estocolmo, já que eu não tinha muitos compromissos que me fizessem passar por ali, mas eu sabia da fama que estas estações tinham de serem as mais bonitas.

Foi quando fiquei sabendo de um InstaRide (passeio de usuários do Instagram) que aconteceria em setembro do ano de 2014. A ideia era pegar o metrô até uma certa estação final da linha azul e parar em estações que pareciam interessantes para fotografar. Fiquei animada pois além de conhecer as famosas estações mais belas da cidade, eu ainda teria a chance de conhecer pessoas legais.

Estação Vreten - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Com estações subterrâneas e estruturas cavernosas, a linha azul de metrô em Estocolmo tem obras artísticas e detalhes de tirar o fôlego. Foi amor à primeira vista por cada uma das estações por onde a gente passou aquele dia. Depois disso, voltei várias vezes por lá, sem compromisso, só pra ver e fotografar as estações.

Estação Rinkeby - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Estação Rissne - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Estação Duvbo - Linha Azul  ::  Foto: Victória Freitas
Caso você venha passear por Estocolmo, tente separar um tempinho para visitar pelo menos algumas dessas estações, você não vai se arrepender!

Beijos e Hej då!
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6 de junho de 2016

*Este post faz parte da blogagem coletiva realizada por Blogueiros Brasileiros na Escandinávia. Veja os participantes no final do post.

Há mais ou menos três anos, no dia 1º de junho de 2013, eu vim morar na Suécia. Há pouco mais de três anos, eu não sabia absolutamente nada sobre o país aonde eu estava indo morar, eu não sabia nem mesmo onde a Suécia ficava no mapa ou se Suécia e Suíça eram países diferentes. Tudo aconteceu tão rápido, que eu nem me lembro mais como foi a escolha de vir morar aqui. A memória da minha decisão sobre morar na Suécia não existe, o que há em mim é uma lembrança vaga daquilo que mais se pareceu com um “deixa a vida me levar”.
O PESO DA ESCOLHA
Decidir deixar família, amigos e toda a facilidade que existe em morar no seu próprio país poderia ter sido complicada para muitas pessoas, enquanto eu dizia sim apenas para a felicidade da realização do sonho de viajar para outro país. Eu não levei em conta e tampouco disse sim para saudade enorme que eu viria a sentir, afinal, eu já tinha me mudado tanto de cidade no Brasil, morado longe da família, encontrado novos amigos em cada novo lugar, sem falar que seria só pegar o avião para todos estarem juntos novamente no dia seguinte; não pensei em custos, tempo, distância, dificuldades... talvez um engano comum de uma pessoa que acabara de se formar na faculdade, que só brincava de ser independente, mas que nunca tinha tido a real oportunidade de cuidar de si por conta própria.

Eu só fui sentir um pouco do peso da escolha de morar fora quando eu estava de malas prontas, despedindo-me da minha mãe no aeroporto, sem nem ter data para passear no Brasil. Foi ali que eu chorei muito, não só pelo medo de viajar sozinha de avião pela primeira vez, mas porque eu comecei a perceber ali que aquilo seria muito mais que “uma simples viagem internacional”.

REAPRENDENDO A CAMINHAR
A Suécia me encantou e ainda me encanta desde o primeiro segundo que pisei no país, quando eu vi a organização da cidade ou quando, ao voltar de uma viagem para o Brasil, eu vi neve pela primeira vez na vida; e era tudo tão limpo e organizado e lindo! Chegar a um país diferente, sem falar o idioma local, é como nascer de novo, é como reaprender a dar os primeiros passos... No começo, cheguei a pensar que eu me adaptaria rápido, mas até mesmo fazer compras em um supermercado era uma luta; horas para achar um produto parecido com algo que eu conhecia no Brasil, embalagens diferentes, idioma diferente, até a disposição dos produtos, era tudo diferente! O que me restava era comprar o básico para não ficar com fome ou para não comprar ração de gato achando que era picanha.

Algum tempo depois, comecei a perceber que são muitas as coisas diferentes, melhores ou piores, das mais simples às mais complicadas. Fui percebendo que se adaptar a outra cultura tomaria muito mais do meu tempo do que eu imaginava, já que até para saber como separar e onde jogar o lixo eu demorava traduzindo as palavras da estação de reciclagem. E só agora, com três anos morando na Suécia, as coisas estão começando a ficar mais claras, mas foi há muito tempo quando eu descobri que seria preciso aprender bem mais do que só a língua nativa.

TRÊS ANOS NA SUÉCIA
Cada pequena descoberta é uma vitória quando se está em um país totalmente diferente do seu. A sensação de descobrir que existe leite condensado em um supermercado sueco acaba sendo tão boa quanto ganhar na loteria! As pessoas, a comida, os lugares, as expressões, os costumes, tudo pode provocar estranheza à primeira vista;  mas com o tempo a gente se acostuma tanto que nem se lembra mais o porquê de aquilo ter sido tão difícil ou diferente no começo.
Quando eu ainda morava no Brasil, encontrar as coisas das quais eu gostava era muito mais fácil. Lá eu era bem mais ativa do que quando cheguei por aqui; eu andava de skate, fazia aula de violino, tocava em orquestras, era fácil encontrar um curso de dança que não fosse tão caro. Aqui, para conseguir minha primeira aula de violino, eu tive que deixar a vergonha de lado muito tempo depois de ter chegado na cidade e perguntar o cara que estava tocando no bar se ele poderia me dar aulas, depois disso ele me deu várias alternativas sobre como eu poderia estudar música por aqui, falou de opções que eu talvez nunca teria descoberto por conta própria.

Foi assim que eu percebi que eu teria que perder a vergonha de pedir ajuda mesmo para as coisas que poderiam parecer simples para um nativo. Com o passar destes três anos eu já encontrei várias pistas de skate para andar, comprei um violino novo e no mês passado eu tive a primeira apresentação com a orquestra da qual comecei a fazer parte, além disso, encontrei e tenho encontrado várias pessoas que se tornaram grandes amigas e fontes para troca de experiências e aprendizados. Só agora, três anos depois, eu começo a me sentir confortável na sociedade sueca, consigo me comunicar usando a língua nativa e às vezes até me lembro de palavras só em sueco e tenho que traduzir para achar o equivalente em português.

Mudar de país pode ser muito difícil no começo, mas a experiência de vida e a sensação do aprendizado de como se virar em um lugar totalmente desconhecido, sem a família por perto para resolver tudo você, dá um prazer enorme quando se olha para trás. O mais importante é perceber que isso não acontece só com a mudança para outro país, mas com qualquer pequena mudança diária, interior ou exterior, que tenha servido para o desenvolvimento pessoal e que faça a vida valer muito mais a pena!

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Blogs participantes da blogagem coletiva:


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Por Victória Freitas

authorOi, Eu sou a Vic, autora do blog Morando na Suécia.
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